quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

calendários parecem julgar em tempos...

O calendário nos acusa de um ano que passou e-outro-que-chegou-muito-atropelado. Corrido. Rápido. Extremamente "desenrolado". Do jeitinho que eu não gosto... Mas eu? Eu agora que comecei. Ainda processo as relações acadêmicas e os passos das correrias exigidas. Desde dezembro digiro A felicidade conjugal, de Liev Tolstói. Ainda estou com a narrativa aparentemente tão simples, classificada como novela. Nossa! Tolstói desnuda María Aleksândrovna. É dum entrar em sua subjetividade que nos faz sentir os frios na barriga que a narradora sente. Eu senti até seus enjoos, paixões e desencantos. Chorei junto, claro. Bom, talvez seja dos meus exgeros de sentir algumas literaturas. Talvez tenha sentido demais, quem sabe? Olha, só acho que realmente os nossos sentimentos nascem e morrem assim como Tolstói me disse. Puro sentimento do corpo. Encontrei-me, mais uma vez com Milan Kundera. Agora na sua versão ovacionada: A insustentável leveza do ser. Mas que encontro! O homem leu Nietzsche - imagino que também tenha lido Simone de Beauvoir. Ele, além de fazer análise baseada na psicanálise, tal qual a francesa, ele filosófa. Cria conceitos! E o conceito de "traição" de Sabrina. Ah... Eu tenho muita essa necessidade de me reiventar, de me trair, de me desafiar. Deste ano que passou ter encontrado a insustentável leveza - ou a felicidade - dos seres no cotidiano com o escritor russo e com o tcheco me garantiram belas cicatrizes. Foram estéticas que quase fizeram a alma enconstar na pele, como Tereza filosofa na frente do espelho. Deixaram-me mais tatuagens. Daquelas bem belas que me deixa pensativo. Ok, ok. Fui vencido. Sou exagerado e sou apaixonado por esse russo e por esse tcheco. Passeei por Umberto Eco - confesso que não me enamorei muito dele. Fui até o fim d'O nome da Rosa para tentar me permitir experienciar. Não houve muita profundidade em quase nenhum de mim. Terminado. Voltei a uma novela. Leve, pressupunha. Purple Hibiscus. Chimamanda, a linda nigeriana. Quase me desmancho de chorar. Desisti de entender o que diabus diferencia uma novela de um romance. Numa noite de insônia e de fulga das responsabilidades, conheci um chará que me pareceu um amigo sincero. Seus escritos tão profundos. Tocaram-me. Senti-o. Tive um encontro com esse autor/seus escritos. Ele escreve sobre coisas que penso. Surpresa foi esse autor de foto pacífica e bonita demais conversar comigo. Muito novo. Uma criança. De muita sapiência, assim senti. Explicou-me, humilde, assim entendi, a diferença entre romance e novela. Concordei. Mas ainda não entendo a classificação d'A felicidade conjugal, O nome da rosa e Purple Hibiscus. Meu chará escreve uma novela. É a esperança de eu fazer de conta que vou entender o que é uma novela. Sei que me engano. Engano-me, porque ele pode não me mostrar. Mas, engano-me mesmo porque, se ele me mostrar, eu sei que me tocará. Será mais um encontro. E esses encontros só me mudam e me deixam perguntas. E eu, sempre a querer perguntar e mudar. Acho que são nossos processos de subjetivação que "classificam" as obras como novelas ou romances. Imagino que o meu classificador seja de marca diferente daqueles que dizem o que são romances e novelas.... Hoje, à praia, a lua já me olhara com seu 43 poético. Foi bom, mas rápido. Entretanto, ao quarto, conversar com um poeta, superou-me expectativas que tento não criar. Dois encontros numa noite só! Como poderia me queixar hoje da insônia? Nem me quero que o dia acabe, sem ofensa à noite ou ao outro dia que parece alaranjar-se.

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