sábado, 15 de maio de 2010

ela eu, apaixonado, esculhambo!

Aqui o ver(de) me balança à janela. O vento me sacode os sujos cabelos. O azul de um céu tão límpido. Sairia correndo a praia em outros tempos fugidios de caseirices. Porém, parece que a paz me agarra pelas pernas para que eu não me ouse sair de casa. E eu?

Eu gosto desse charme que ela faz. Diverte-me. Aguça-me muitos sen(ti)dos.

Penso em trocá-la. - Ingrato!

Quero o arco-íris. Mas parece que a preguiça ou a timidez me fazem procurá-lo apenas virtualmente. Animo-me mesmo assim. Essa sacana da paz nos deixa tão tranqüilos que até algo que poderia te angustiar parece legal. Não me quero virtual, mas posso me querer na preguiça atual?

Ontem não corri. Hoje não pedalei.

Ah, ontem foi sábado. E a ressaca de três copos de vinho com o pouco dormido justificaram-me.

Hoje? Humm... Domingo... Tenho um concurso. Olha, ganhar experiência nos leva a um desânimo com quase peso na consciência, pow. (eu uso o “quase" em situações, no mínimo, intrigantes. Sei-me)

Estou perdendo minha glicose brincando de arremessar estas palavras contra o computador. Nossa! Estou-me um ser virtual. Preciso me mudar... And I hear right now: “I going to start a revolution from your bed”.

Mas a cama de quem? Posso escolher? Um trocador de e-mail tem me parecido uma possibilidade (olha, eu virtual de novo). Mas sabe o pior? Trocar e-mails tem sido tão legal que não tenho, ou não sei se estou afim, de materializar algo.

Apatia? Covardia? Preguiça? Pode ser... Mas está tão legal esse jeito de escrever e receber escritos de alguém (re)conhecido. Saber-se um pouquinho o outro pelas palavras me parece mágico e algo sedutor. (Tá, é verdade. Minha lua é em sagitário.) Mas para que alterá-las, se as relações, mesmo de brincadeiras, lembram futuro? E se nos resta o medo de relacionar-se de verdade? Este tal de futuro é um puto! Todos o temem, seja com hórrido ou amor aos santos casamenteiros, temem-lo.

As modificações são mais necessárias em âmbito social, não? Para essas não me tenho preguiça, medo ou tanta timidez. Estranho, né? Cansaço só mesmo o corporal.

E olha que coisa de matriz africana, falou-me há pouco Hilda Hilst:

“ O ser humano ainda não compreendeu que ele e os rios, ele e os mares, ele e as florestas, ele e os animais, ele e o Cosmos são um só, e se você não entrar em harmonia com isso tudo, você simplesmente se fode.”

Sinto-me melhor ainda tendo conversado sobre isso nesta madrugada com minha-amiga-amor-para-sempre, na sarjeta do meu novo prédio central. E para que melhor (para consagrar esse nada gélido raciocínio) se não ter lido essa passagem a outra amiga quando falávamos nossos mundos, debatíamos movimentos, sexualidade etc.

(Eengraçado e enteressante como a gente procura temas diversos em espaços diversos. Para a minha vó eu li uma crônica da Hilda Hilst que fala de senhoras que olham para os bilaus de mais novos – também me surgiu um efeito satisfatoriamente e sarcásticamente bom. É que a velhinha de aqui riu. Não sei se olhou para outros falos ou mesmo para o meu, mas riu.)

Ao ouvir “minha” bandinha britânica adolescente, eu me toquei de sensações do começo de Don`t look back in anger que diz: “I start a revolution from my bed”. E foi isso que me fez gostar dessa música. Deixando o individualismo pequeno burguês, para mim aparente, acho interessante a ideia de mudar nossas camas junto com a dos outros. Não nos dependemos de outras camas, mas com uma só cama sozinho não sacudiremos o planeta.

Podemos também ter uma grande mudança com uma cama. Junte-a com outra. Divida-a. Partilhe-a. Jack Johnson me cantarola:

“It's always more fun

To share with everyone”

E num é mesmo? Sei que a cama pode ficar só com alguém. E este pode revolucioná-la assim mesmo. Mas ela pode também ser uma brincadeira de alguéns. E aí pode ser uma revolução ou um casamento. Intrigante como hoje me aceito não presenciar uma revolução estrutural. Contento-me com a pequena de indivíduos no coletivo. E, depois de amar, querendo me casar, aceitar-me feliz só om o surfar.

Estou ficando apático e pelego? Ou é assim que as pessoas ficam quando ela, a paz, gruda-se em alguém? Ando-me muito enamorado dessa tal...

"Eu e minha culpa maior do que o mundo. Eu e meus encantamentos românticos infantis. Eu, cheio de arestas que ferem sem querer. Eu que vivo e ando depressa demais, esbarrando indiferente em quem passa por mim. Eu, Eduardo Marciano, que tanta nostalgia carrego dos lugares onde nunca estive, das coisas que nunca cheguei a fazer. Eu que nunca me senti satisfeito ou completo. Eu que tanto nadei contra mim mesmo em piscinas vazias. Eu, eternamente constrangido com a vida. Eu que já nasci velho.
Eu e meus acessos de pânico, taquicardia e vertigem. Eu e o chão que me falta, a eterna negação de mim mesmo. " João Paulo Cuenca - Eu, Eduardo Marciano

e eu?

Rede(ou)moinho?

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