Fiquei um tico perplexo, ao perceber-me que, ao menos no livro "O Corno de si próprio", Marquês de Sade é muito pouco erótico, bastante sagaz, e muito crítico à Igreja e a hipocrisias da moral cristã.
É de uma crítica, nada velada, extremamente direto, mas com o relevo poético (não seria uma arte militante, como a compreendemos hoje - talvez nem uma arte comprometida, mas sim uma arte que muito natualmente é crítica). Ou seja, negar-lhe o caráter crítico é um crime dos mais fervorosos.
Agora pergunto: Como pode até hoje Marquês de Sade ser conhecido apenas pela sua literatura pornográfica? Por que não ouvimos falar de suas gigantescas críticas à moral cristá, no final do século XVII e início do XVIII, ainda pertinentes? Por que o filme "Contos Proibidos de Marquês de Sade" realça apenas o conteúdo "erótico" de sua obra? E nada fala do conteúdo crítico?
(Diga-se de passagem, dentro de uma perspectiva de Classificação Indicativa, o erotimso da obra de Sade, ao menos a ínfima parte que conheço, seria muito mais da ordem da sugestão do sexo do que da pornográfia explícita...)
Ah, essa fama que carregam os críticos mal lidos contra-hegemônicos. (Vai saber quem seriam os bem-lidos, né?)
Ah, essas construções imagéticas que parecem não se descolarem facilmente com o passar dos séculos...
domingo, 22 de janeiro de 2012
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