domingo, 5 de agosto de 2012

Pescador de ilusões

Imagino que pescar é buscar. Procurar. Algo que se deseja. Se assim compreendo, como não poderia ser mesmo um pescador de ilusões? Bob Marley canta que "we`ve got to fulfill the book". Marcelo Yuka (antigo baterista d`O Rappa) escreve que "ousa catar/na superfície/ de qualquer manhã/as palavras/ de um livro/ Sem final!". Ah, só posso mesmo achar que a gente preenche nossos livros com ilusões, sonhos, utopias e pensamentos que se desenham de alguma forma nessas páginas em branco. Talvez seja por isso que insista em querer mudar o mundo e ser uma pessoa melhor (na minha opinião não consigo, mas nunca deixou de ser um desejo meu). Não sei. E não sei principalmente quando fujo à disciplina que cria potencializar a mudança... Para quê esse cárcere? Ah, esses filósofos me acabaram. Ou vão me fazer nascer, quem sabe? E filósofos são os amigos que nos deixam interrogativos. São os criadores das tirinhas que adoro. os músicos que me fazem mexer, pular, chorar, achar que estou cantando. São os filósofos da diferença que me fazem perder o chão que não tinha. De todo jeito, são sempre bons encontros. Juro. São porque eu mudo. Não sei se para melhor, como indaga Lucy (Shulz). Mas sempre fica a crença de um dia amanhecer e saber que a minha vida pode depender de mim mesmo, como deseja Mafalda (Quino). Mas uma dependência que quero construir com muitos outros. Com o mundo... Acho que sou mesmo besta, mesmo tentando viver esse mundo. Digo isso, mas ao mesmo tempo me pergunto "Por que não viver?/ Não viver esse mundo/ Por que não viver?/ Se não há outro mundo/ Por que não viver? Não viver outro mundo..." (Luiz Galvão/Pepeu Gomes/Moraes Moreira) E esse equiíbrio de viver esse mundo e outro mundo... Um jogo? Uma invenção? Um sonho? Uma vida? Uma ilsusão? Ahhh, esse povo é muito sabido para mim. Esses amigos, músicos, filósofos rurais, surfistas, artistas, alguns acadêmicos, eles só me deixam perguntas. Quem sabe assim, dia sim, dia não, consigo construir a vida como uma obra de arte? Acho que não é com certezas que se constroem artes, né? Eu não sou artista. Nesse meu livro preto, lindo, quizá, até elegante, e que traz consigo, óbvio, colado, páginas escritas, a gente in-venta. Porque o céu, o sol e o mar (Dalto Max/ D´Black/ Alessandro Portugal - Mombojó) hoje com meus amigos me emocionaram. Senti-me tão recebido e voltei com muito mais perguntas. Claro. Mas, de brinde, conheci a Mona linda (preta, simpática e bela). Ãi, ãi...

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